sábado, 31 de agosto de 2013

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

o jogo favorito(the favourite game)

"apagavas cigarros nas palmas das mãos

e os que te viam choravam , mas tu, não , nunca choraste por amores que se perdem /////e temos saudades desse mar que derruba primeiro no nosso corpo tudo o que seremos depois ."José Tolentino Mendonça

A gaiola cromada

O meu pai tinha uns amigos Franceses ,boémios ,a B não se cansava de fazer pouco dos emigrantes e dos seus blousons d`émigration ,o irmão da B era ele próprio um emigrante ,acabou por casar e fazer cá a sua vida ,apesar da B ser uma sacana arrogante o meu pai muito lhe deve ,no tempo do fascismo trazia livros que não se podiam ler ,trouxe também a sua maneira livre de ser a esta terra cinzenta.

A Gaiola prateada(the silver cage)

O meu primo esteve em França muitos anos ,trabalhava na Citroen e ainda arranjava o jardim de uma senhora de idade a troco de dormida e algumas refeições,tinha muitos amigos árabes que o convidavam para as suas casas ,tinham sempre um carneiro vivo á porta antes dele chegar ,ele próprio passava bem por árabe ,um tuaregue magro era o que ele parecia ,voltou para Portugal e foi viver para a casa da mãe que na sua juventude tinha sido enganada por um carpinteiro de profissão, parecido com o Tom Waits ,que bebia e era violento,um dia apareceu lá na terra uma mulher loura de olhos verdes ,grávida, que a minha avó tratou de acarinhar ,e dar conselhos ao marido para este deixar de tratar mal a mulher loura de olhos verdes ,que de nada serviram ,não tiveram uma vida fácil ela e o filho,o pequeno tuaregue cresceu e emigrou ,depois voltou com a mulher alcoolizada e houve divórcio,já com sessenta e alguns anos foi a Fortaleza arranjar uma mulher com cerca de trinta porque estava envenenado pela solidão .Meses depois da sua morte lá estava o jipe willis castanho sem cintos de segurança ainda com a poeira do deserto nas rodas.

Relva

Estava de saída quando fui surpreendido com um sonoro --olá vizinho -(primeira chamada)--isto anda mal ,disse a rir .A polícia mandou-o parar por ter parte da sua identidade colada na madeira da carrinha ,por esse previlégio teve de pagar 50 euros .